Coração de Papel
Logo depois que descobri qual era minha doença e achei que estava ficando melhor , resolvi sair pra andar de bicicleta.Mas tinha muito medo de sair de casa , era como se a qualquer momento algo fosse acontecer e me deixar infeliz.Então eu ficava muito insegura.Na dúvida sobre em qual direção devia andar na bicicleta,se no sentido dos carros ou contra eu resolvir andar contra e bati com a bicicleta num senhor que olhava para o outro lado e atravessou.Ele não brigou comigo, eu pedi mil desculpas e ele disse que eu estava na contra mão.Mas aquilo foi como se tivessem me dado uma surra, eu chorei e me senti muito mal por dias.E nesse dia eu me odiei por ter um "coração de papel", altamente inflamável e muito fácil de ser despedaçado.
Minha doença ainda agora é passado e o meu coração já não é de papel , de papelão talvez e rosa , cheio de rendas e chocolate.O Engraçado é que nunca fui uma pessoa assim frágil, na verdade era muito brigona e afeita a discussões.Ninguém na minha família tinha medo de estar me magoando, eu era forte, sempre tinha uma resposta à altura e não era passada pra trás.Engraçado como tudo mudou durante uma fase e vivi o meu lado oposto.
Até agora não consegui dar uma de Poliana e descobrir as vantagens de ter vivido essa fase, mas sei que agora sou uma nova pessoa, que tem elementos de uma e de outra fase.Não sei até que ponto a mistura é boa, mas estou tentando descobrir.O que sei é que depois que tudo passou me sinto aliviada e feliz por poder ser uma pessoa completa novamente, sem que os outros tenham medo de estar me magoando sempre.Sensível ainda sou , mas de uma maneira real, normal.Só que não descobri ainda até onde devo ir para me resgatar de vez.Achei que me encontraria solteira, mas quando voltei de Fortaleza achei que seria feliz tendo uma família, ainda não cheguei a uma conclusão , mas gostaria muito de ter chegado.Mas, acho que o momento é de esperar.Quando não se sabe o que fazer,não se faz nada, certo?
Escrito por Ayve às 21h57
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